O PARADOXO DO DESCONHECIDO

Terminei de escrever meu livro em janeiro e corri para publicá-lo o mais rápido possível. Tê-lo públicado velozmente não significa que deixei de caprichar. Fiz uma capa bonita, uma boa diagramação show de bola, com inícios de capítulo chamativos e também uma identidade visual poderosa... APENAS PARA SER SUMARIAMENTE IGNORADO. Vivia a doce ilusão de que, me focando no público certo, meu livro seria aceito. NÃO FOI.


Tentei me focar no público YA/Crossover fã de literatura fantástica "adulta" (As Crônicas de Gelo e Fogo, O Senhor dos Anéis, A Crônica do Matador do Rei), mas precisei sentir na pele o que é ser IGNORADO apenas por ser escritor brasiliano e anônimo.





Todos sabemos que existe uma certa síndrome de vira-lata em nós, que passamos meio século consumindo cultura estrangeira e nunca tendo nada à altura para oferecer. Seja nos cinemas, na música, nos quadrinhos... A literatura não fugiria à regra. Observe você como as grandes livrarias expôem os livros estranheiros do momento em tão maior destaque que os livros nacionais.


Mas ok, sem saber nada disso fiz um insta literário focado em cultura geek e observei uma bolha nos igs literários e inclusive tentei fazer parcerias (mandei 100 contatos e consegui 2 leituras "até o final", mas que ainda não finalizaram. Obrigado @livrossaotudo4 e @jurietjens).


Vou falar mais sobre isso, citando algumas observações que pude fazer diante da experiência de 6 meses no mercado:


1) O mercado NÃO quer inovação. As histórias clichês adolescentes de 230 páginas seguem sendo as "queridinhas".


2) Autor de fantasia épica só serve se for ESTRANGEIRO.


3) Quando não, os mais quistos são sempre os autores famosinhos: Eduardo Spohr, Leonel Caldela, Raphael Dracoon - que já se provaram capazes, mas que se apoiavam em uma poderosa rede de networking.


4) Há uma bolha nos igs literários onde a galera quer livro de graça em troca de uma resenha que não assegura UMA ÚNICA VENDA.


5) Lançar livro no Brasil é uma penúria de caro e isto justifica o pavor das editoras por livros grandes. Caríssimo. CARÍSSIMO. Adendo: espremi meu livro pra ele caber em 566 páginas e o valor mais baixo de impressão foi R$42. 🙃


6) Ser desconhecido significa que NINGUÉM vai ler seu livro, nem de graça. - Vendi 180 ebooks pela promoção do Kindle e tive um total de ZERO leitores.


7) A gente vive o paradoxo do desconhecido: as editoras não vão apostar em autor desconhecido, mas como ninguém aposta no seu trabalho, você continuará sendo desconhecido. Elas querem que você tenha um público COMPRADOR grande, o que é difícilimo de conseguir (sou Youtuber e segue sendo difícil por lá). Escritor ou blogueiro? 🤷‍♂️| E é sobre este último ponto o foco deste post. O PARADOXO DO DESCONHECIDO. Óbvio que essse termo não existe e eu inventei ele pra exemplificar algumas situações muito loucas que apenas pessoas desconhecidas (mas que buscam algo a mais da vida) passam.


Imagine que você decida começar um estágio. Você, no ápice dos seus dezoito anos, ainda não tem experiência de trabalho formal, porém as vagas de estágio exigem seis meses de experiência. Aí, você não vai conseguir uma vaga, pois não tem experiência. E não vai conseguir a bendita experiência, pois ninguém te dá uma chance de trabalhar. Entende onde eu quero chegar? O autor desconhecido precisa antes se provar conhecido e relevante para o mercado antes de ver seu trabalho apostado (indiferente à qualidade). Não estou aqui para menosprezar o trabalho de ninguém, mas passei dez anos trabalhando numa estória que eu ADORARIA ver em qualquer livro: extremamente coesa, com qualidade técnica, diferenciada, grandiosa e ambiciosa, mas que, por consequência do meu baixo reconhecimento, fica inviável de se ver apostada por alguém. E eu não estou falando apenas de editoras não, mas também de leitores. Ninguém te lê por ser desconhecido, então você irá permanecer desconhecido, pois NINGUÉM te lê. Entende? O melhor contra argumento pra isso seria: "você começou com um livro grande demais e ninguém apostaria num livro grande sem antes conhecer um escritor". Fala isso pro Eduardo Spohr, que lançou A Batalha do Apocalipse sem ser conhecido pelo grande público e estreou com um livro de 670 páginas. Vendeu bem antes de ser impulsionado pela Editora Verus, mas convenhamos: Spohr tinha amizade com Jovem Nerd e Azaghal, do site Jovem Nerd (adoro o Nerdcast, inclusive), portanto, "costas quentes", que é uma expressão utilizada para determinar pessoas com alto Q.I. (quem indica).



Não me canso de ouvir os cases de sucesso da J.K.Rowling e como ela foi recusada por várias livrarias, ou como Stephen King deu a volta por cima após ser rejeitado, mas não obstante as colossais diferenças culturais entre a literatura em inglês pra literatura em português, há ainda outro fator grave: o brasileiro é muito seletivo nas escolhas de literatura. Acho que isto dá um post por si só e pretendo falar do assunto. Por hora, sigo desconhecido. Quem sabe isso mude algum dia.

Se gostou, lembre-se de deixar um comentário ou compartilhar com alguém. E lembre-se de conhecer meu livro, bastando clicar na aba HOME. Obrigado.


Acabou antes, mas agora acaba de novo: Meu próximo passo é tentar o marketing pago e seja o que Zeus quiser.

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©2020 by ROBSON OLIVEIRA. O livro é bom mesmo, rapaz!