COMO CRIAR UM UNIVERSO FANTÁSTICO LITERÁRIO REALMENTE ENCANTADOR?

Atualizado: 6 de Mai de 2020

Olá, querido leitor, tudo bem com você?


Sou Robert Kronos, autor de "Os Sete Mares da Antiguidade I - O Cavaleiro da Maldição", que é o meu livro de estreia como escritor.


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O objetivo deste post é dissecar um assunto que é muito interessante, mas que jamais recebe a devida atenção por parte daqueles que estão começando a escrever: a criação de um universo fantástico, ou mundo fantástico, chame como quiser.


Recordo que, durante a criação do universo fantástico onde se passa a minha história, eu esbarrei diversas vezes em alguns problemas, dentre eles:


  • Problemas de geolocalização

  • Problemas de estruturação das leis que regimentam aquele povo

  • Dificuldade em criar uma atmosfera "background", do tipo que situa o leitor naquele meio de acordo com toda a história pregressa sem necessariamente ser didático demais ou muito expositivo.


Vou explicar tudo isso.


Primeiro de tudo: eu tive de separar um tempo para entender o meio onde se passava a minha história.


Aos leitores do livro, aquelas cenas onde os personagens são encontrados pelos homens de Arqueiro Castlo e Gavia Branca eram muito diferentes na versão original que eu escrevi em papel, como eu expliquei neste tópico. Àquilo, a princesa Christine era quem os encontrava por acaso, sem que houvesse realmente um motivo para eles estarem ali (eu me baseei naquela cena de A Sociedade do Anel quando o Sam e o Frodo precisam se esconder do Nazgúl).


Naquilo eu mal tinha 16 anos e não sabia direito o que eu estava fazendo, mas foi o pontapé inicial para eu começar a realmente criar um universo fantástico de fato.


Foi em 2014, quando eu estava num emprego em um escritório que me permitia ter um tempo livre que eu finalmente pude me dedicar a ir dissecando mais aquele universo e comecei a criar suas regras, toda a sua história, formação geográfica, povoamento e por aí vai. É por isto que neste post, pretendo dissecar, em 5 passos, como criar um universo fantástico que deixarão seus leitores apaixonados.



01 - CRIE UM MAPA


Não precisa ser um mapa tão detalhado quanto os meus. Digo isto, pois, os meus mapas eram bem mais simples antes. Eles eram "bobinhos" mesmo, apenas para eu me situar. Acontece que a história foi crescendo na minha cabeça e os mapas foram se desenvolvendo e se tornando mais complexos.


Os mapas ajudam a situar melhor o seu leitor, a depender da complexidade e da vastidão do mundo que você criou. Neste caso, vale muito ser prudente para não pecar pelo excesso. Você precisa ter controle total das informações, afinal, este mapa é um guia que precisa ser oficial e preciso, além de coerente.


Um mapa coerente leva em consideração toda a questão dos topônimos, que são os nomes que os lugares tem (como Belo Horizonte é uma cidade, ou Bahia, um estado). Entendeu?


No meu livro tem uma cidade chamada Afrodísia. A cidade se chama assim, pois, Deusa Afrodite foi uma das responsáveis por povoar aquela região. Isto é coerente com aquela história. E não somente isso, ainda faz alusão a como é o comportamento daqueles morados e como esta deidade é importante para eles, por fazer parte de sua história.


Há também detalhes como: cidades mudam de nome a depender da época. Territórios mudam de dono em conflitos que envolvam conquista e reinvidicação de terras, por exemplo.


Todas essas questões ajudam a enriquecer e muito seu universo fantástico. Por isto, na hora de criar o mapa, tenha esse cuidado.


Tem autores que DETESTAM mapas, pois consideram que isso enfraquece o texto e tira o poder de imaginação do leitor, mas eu bem honestamente acho isso muita balela.


Este é o mapa do Império de Áries antes e depois. Reparem na diferença entre os topônimos.



02 - FAÇA UMA HISTÓRIA PREGRESSA DO SEU MUNDO FANTÁSTICO


Personagens com passado são muito mais interessantes.


Já reparou que os personagens de Naruto, sem exceção, tem algo a contar sobre seu passado, que é revelado pelo autor num momento crucial? Outro exemplo são os personagens de Harry Potter. Lembra dos Marotos?


Pois é. São coisas que aconteceram muito antes do ÍNÍCIO da história a ser contada. Isso ajuda muito a dar profundidade aos personagens. Mas como, neste caso, estamos falando de mundos completamente novos e imaginados, que tal fazer o mesmo por ele?


Você não precisa começar na ORIGEM efetiva daquele mundo, afinal, há coisas que não existem respostas. É o mesmo que você perguntar: de onde viemos? Quem criou DEUS? Sério... você vai conseguir uma resposta?


O mais legal é você traçar uma linha do tempo, mesmo com partes faltando, que exemplifiquem e deixe claro, ao menos para você, como foi a formação cultural daquele lugar. Por que as coisas são como são?


Tudo isso será revelado ao leitor aos poucos. Isso inclusive ajuda a deixá-lo instigado e interessado na história. Não saber tudo é uma mina de ouro a ser explorado. A você, por outro lado, ajuda a te situar, te dá segurança em falar do passado e a explicar muitas coisas interessantes.



03 - ANIMAIS, PLANTAS, CLIMA, SOLO, RIOS... Seja como for, GEOGRAFIA


Observe o país onde você mora. Ele tem montanhas? Tem rios? Florestas? Se você mora no Brasil, sabe que é um país quente a maior parte do ano. Caso vivesse na Groelândia, seria um lugar gelado... Seu universo pode ter regras próprias para essa questão de clima, solo, montanhas e mesmo a passagem do tempo em si (isso faz parte da coerência interna da obra e é assunto para um outro post).


A questão aqui é: uma vez que você definir isso, precisará entender nem que seja um pouquinho de geografia (Google está aí para aqueles que faltaram naquelas aulinhas chatas do professor de geografia), para deixar clara toda essa questão, pois a geografia do seu universo pode impactar em como os personagens irão planejar uma guerra, por exemplo. Ou como é a relação daquele reino com a questão das navegações. De onde eles tiram alimentos. Como isso impacta na economia deles e por aí vai.


Em As Crônicas de Gelo e Fogo, por exemplo, George R.R. Martin faz usos bem interessantes da geografia, de modo que a presença de um rio impactada diretamente toda a trama do terceiro livro, A Tormenta de Espada, pois seus personagens precisaram de um acordo político para atravessar um rio lá no primeiro livro, A Guerra dos Tronos e o restante você já sabe (creio eu ;P). Importantíssimo.


A questão de geografia (que obviamente esbarra no tópico de mapas), irá impactar diretamente nos animais nativos daquela região também. Me diz se faz sentido um elefante vivendo num país gelado? Ou mesmo um pinguim no meio do deserto... Entende? Isso logicamente precisa ter haver com sua lógica interna e, uma vez que você definir assim, tudo precisa casar para que não haja do leitor a quebra da suspensão descrença (posso explicar melhor em outro post também).


Mesmo os topônimos tem respaldo na geografia. Serra Verde não poderia se chamar assim caso, ao invés de uma serra, tivéssemos um vale. Vale de Arryn só se chama assim pois está situado no meio de uma cadeia de montanhas. Agora todas as peças se encaixaram, hein?



04 - REGRAS DITAS E NÃO DITAS


Eu ADORO quando um escritor me surpreende com regras não ditas. Vou pegar Naruto como exemplo.


Regras ditas a gente entende fácil. Para fazer um jutso, você precisa controlar seu chakra, moldá-lo e fazer os selos de mão para liberar o poder ou a técnica especial, certo?


Outra regra é o funcionamento das Vilas Ocultas: são enclaves governadas por um Kage, que é o líder e potencialmente a pessoa mais poderosa daquela jurisdição.


Mas e regras não ditas?


Já reparou como o chakra tem uma certa capacidade de atravessar materiais sólidos? O Punho gentil, que pertence aos Hyuga, é capaz de atravessar a pele para atingir os pontos de chakra. O Rasengan de Naruto é capaz de atravessar o oponente e causar ferimentos internos, para muito além do dano superficial.


Isso é um exemplo de regra que jamais foi dita, mas que está lá. E isto ajuda a alimentar teorias. Fortalece a capacidade do leitor de questionar com coerência, ou seja, faz sentido. E o melhor: fortalece o fandom, pois mais e mais discussões são fomentadas a partir desses eventos que ocorreram pois há regras que são difíceis de explicar.


Se puxarmos para o mundo real, podemos ver que nós nascemos e crescemos, mas ninguém "fala disso". Simplesmente acontece. Sabemos, obviamente, que isso é fruto do nosso metabolismo, mas já reparou que é algo "corriqueiro"? Tão comum que sempre esteve ali. É uma regra não-dita do nosso mundo. O mesmo vale para todas as descobertas científicas. A telecomunicação se vale de regras que sempre estiveram aqui, mas só a tecnologia foi capaz de moldar a dar vida, como o uso do espectro eletromagnético.


O ideal é criar mecanismos desse tipo para que objetos intangíveis como magia, feitiços  e o uso de elementos fantásticos se torne mais interessante.


Patrick Ruthfuss, de O Nome do Vento criou um sistema que se baseia nesse tipo de regra, onde a magia funciona bem próximo a uma ciência exata, cheio de regras que SIMPLESMENTE são. Não tem um "porquê" definitivo. Simplesmente são. E isso é genial!

05 - IDIOMAS E COMUNICAÇÃO

Não sei se sou o melhor para falar sobre idiomas, afinal, só falo português por enquanto, mas um universo fantástico pode (ou não) exigir mais idiomas. A depender da vastidão de seu mundo, das referências culturais e mesmo da formação histórica daquele povo, idiomas existentes ou criados serão exigidos para dar maior coerência e riqueza. Mas digo e reafirmo: faça isto somente se você tem pleno domínio da situação, para não ficar piegas.


J.R.R. Tolkien era um linguista que, muito por acaso, criou TODO UM FUCKING UNIVERSO FANTÁSTICO CHAMADO TERRA MÉDIA para disseminar a criação de novos idiomas. Lindo isso, né?


Eu por exemplo, fiz uso do latim para me basear em algumas passagens, mas tudo com muita liberdade poética (e Google tradutor), pois em Lemúria eles originalmente falavam grego e, posteriormente, algo próximo do latim. Faz bem mais sentido que eles simplesmente falarem português, afinal, o processo Grécia Antiga > Roma foi o que usei como base para criação do meu universo fantástico. Caso deseje conhecer, não hesite em clicar neste link: http://www.bit.ly/ocavaleirodamaldicao


Uma dúvida: você acha mesmo que os aliens são capazes de falar inglês? Coff coff, Hollywood...



06 - DIVERSIDADE


Universos fantásticos puramente eurocêntricos já não estão mais com essa bola toda. Não que você não possa se basear em culturas europeias para a fundamentação de seu universo, muito especialmente se ele for medieval.


Cavaleiros, damas, nobreza, cortes, reis, dragões e magos super poderosos sempre terão seu lugar ao sol, porém, o século XXI pede DIVERSIDADE.


É sempre bom usar outras culturas interessantíssimas para se basear na hora de criar:


  • tem os egípcios e sua riqueza ancestral;

  • os índios latino americanos (Incas, Maias e Astecas), que tem uma mitologia igualmente incrível;

  • os africanos subsaarianos, com uma ancestralidade mística repletas de originalidade;

  • mesmo até os índios brasileiros (o qual desejo explorar no futuro), com suas lendas que dão histórias SEPULCRAIS, com mula sem cabeça, saci pererê, sereias e por aí vai.


E diversidade vai muito além disso.


Estamos falando de diversidade de personagens, especialmente. É importante dar voz a personagens negros e LGBTs com funções FUNDAMENTAIS nas histórias, de modo que, se você tirasse algum deles, isso seria prejudicial ao todo.


Mulheres ganharam muito espaço na mídia recente e é importante que isso se mantenha, mas com o cuidado de não criar aqueles personagens clichês do tipo "mulherão forte e boa de luta que não quer se vestir como 'mulherzinha'" ou mesmo "A donzela em perigo", "a mãe que mostra os dentes quando suas crias estão em perigo". Não que você não possa ter essas personagens, mas tente dar mais camadas a eles, para não parecer que estão ali apenas para cumprir tabela, entende?


Outros tipos de diversidade envolvem personagens marginalizados como deficientes físicos, pessoas verdadeiramente feias (onde esse povo arruma tanta gente bonita, SENHOR?), personagens velhos, mulheres grávidas, anões, homens fracotes, personagens estéreis, gente injustiçada, personagens gente como a gente.


Os personagens são o mais importante, indiferente a qualquer coisa, e quanto mais humanos, melhor.


Um universo fantástico incrível requer BEM mais coisas que o que eu citei aqui. Se tiver exemplos a dar, sua opinião é fundamental para mim. O que você acha que eu esqueci? Conta aqui pra gente nos comentários.


Valeu e até o próximo blog!


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©2020 by ROBSON OLIVEIRA. O livro é bom mesmo, rapaz!